COVID-19 EM ANGOLA: VACINADORES SEM SUBSÍDIO DESDE QUE COMEÇARAM A TRABALHAR

 

Cerca de 6 mil, dos 7.612 vacinadores da COVID-19, na Província de Luanda, afirmam nunca terem recebido os seus subsídios desde que começaram a trabalhar.

Para exigirem que se lhes paguem, os trabalhadores realizam desde ontem, no Largo 1.° de Maio, uma vigília que se vai estender até à sexta-feira desta semana, segundo Osvaldo Mariano, um dos vacinadores.

Ao Portal “A DENÚNCIA”, Osvaldo – um dos vacinadores que trabalham desde Janeiro de 2021 – contou que no encontro que mantiveram com representantes do Governo angolano, no dia 19 do mês passado, na Escola Média Técnica de Saúde de Luanda, sito na Maianga, o Delegado Provincial das Finanças na Província de Luanda, Eric Rodrigues, tinha prometido pagar somente a dívida de Janeiro do ano passado a Fevereiro deste ano, que é de 572.000 kz para cada um, mas não o fez.

“O senhor Erick Rodrigues disse, na presença da Ministra da Saúde Sílvia Lutucuta, que o dinheiro já estava disponível, mas nós não vimos absolutamente nada. Sempre recorremos atrás das entidades, mas nada. Ontem, os nossos colegas do Paz Flor e de outros postos de vacinação foram impedidos de trabalhar, com a justificação de que eles tinham ido para lá paralisar os serviços”.

Afirmam ainda que depois da marcha que realizaram ontem, muitos deles foram maltratados pelos efectivos da Polícia Nacional.

“O que nos inquieta é que o camarada Presidente João Lourenço assinou o decreto que autoriza o nosso pagamento. A sua excelência Ministra das Finanças autorizou o nosso pagamento. A sua excelência Ministro do Território, Marcy Lopes, igualmente autorizou o nosso pagamento. Então, porque é que não nos dão o que é nosso por direito?!”, lamentam.

Questionados se têm estado a reclamar a quem de direito, responderam:

“Nós já mandámos áudio a sua excelência Ministra da Saúde, Sílvia Lutucuta. Ela tinha dito que iria resolver este problema. Falou sobre os colegas que não tinham a documentação completa. Nós fizemos chegar ao Delegado Provincial das Finanças na Província de Luanda, Eric Rodrigues, toda papelada completa e não conseguimos entender porque é que não nos pagam se nós já regularizámos tudo. Alegam que há colegas que não deram o IBAN ou no NIF. Nós fizemos um trabalho. Fizemos tudo isso. Regularizámos os colegas que não tinha tudo. E o que queremos apenas entender é o porquê de não nos pagarem o que é nosso por direito. Nós trabalhámos”.

Os trabalhadores dizem ter recebido uma denúncia anónima segundo a qual o director do Gabinete Provincial de Saúde de Luanda, Manuel Varela, e o Delegado Provincial das Finanças na Província de Luanda, Eric Rodrigues, estão a usar o dinheiro dos vacinadores para outros fins.

“E nós ficámos sem entender, quando o Dr. Rodrigues, na Escola de Formação de Saúde diz que o nosso dinheiro está disponível, então nos paguem. Temos todos os documentos. Nós trabalhámos e muitos dos colegas, por aí uns 5, perderam a vida, uns por COVID-19,  outros foram assaltados. Só para ter noção, nós saímos muitas vezes 00H,  03h , com o nosso próprio dinheiro de táxi. Há colegas que vivem em zonas muito perigosas, muitas vezes foram assaltados. Um dos nossos colegas foi brutalmente espancado. Demos o máximo por essa campanha e hoje somos tratados dessa forma?!…”, queixam-se.

Os vacinadores reforçam que enquanto não lhes pagarem, todo eles vão realizar uma marcha durante esta semana, do Largo 1.° de Maio até aos Ministérios da Saúde e das Finanças e dizem estar dispostos para passar a noite no Primeiro de Maio , uma forma de protestar o que está a acontecer  com eles, justificando que esta semana será definitiva porque já estão cansados e já não querem conversa.

Ao Portal “A DENÚNCIA”, os vacinadores garantiram que não têm medo de serem maltratados pela polícia e disseram o porquê:

“Às vezes não é uma questão de receio. É que, nós queremos ver os nossos problemas resolvidos, porque na marcha passada isso aconteceu. Era uma marcha pacífica, sem vandalizacão aos bens do Estado, Nós apenas caminhávamos, mas isso os incomodou. E nós temos noção de que infelizmente esse é o País que nós temos. E então, nós não temos receio até porque não estamos a infringir a lei. Não estamos a cometer nenhum crime. Estamos sobre os nossos direitos, dentro daquilo que são os regulamentos que um cidadão pode exercer, e então isso não nos inquieta”.

O Portal “A DENÚNCIA” está a envidar esforço para ouvir as autoridades angolanas a respeito deste assunto e promete trazer mais informações sobre o caso.

António Samutxixi

http://adenuncia.ao

2 Comentários

  • É verdade sim, muito trabalho, dedicação, entrega dia e noite e nunca vimos um tostão dos subsídios da luta contra o COVID-19 em Angola.

    Por três 3 tive exposto ao vírus da COVID-19, quase que perdia a vida.

    Muito de nós não se levantam não é por medo, mas sim por carácter e consciência. Nós demos muito e mas do que impossível trabalhamos de segunda há segunda-feira, nem um subsídio poderá pagar ou amenizar os esforços que muitos jovens deram para salvaguardar a vida da população angolana concernente ao COVID-19.

    Os nossos dirigentes é quem devem ser mas sérios, íntegros e terem carácter.

    Oque deixa muitos desses jovens revoltados é o facto de saber que uns foram contemplados com esses subsídio algum tempo atrás e outros não.

    Se foi dado um despacho para se poder pagar todos os envolvidos nessa campanha, porque que uns receberam e outros não? Será que somente os que receberam foram ou são os únicos que tenhem direito de receber?.

    Disse e volto a repetir, valor algum pagará o esforço dessa força motriz que deu e continua a dar de tudo para conter a situação da COVID-19 em Angola e não só como muitas outras situações de saúde a nível nacional.

    Bem haja.

  • Muito triste com a realidafe deste pais, os que trabalharam e eram chamados de erois pelo muito que deram pelo pais ainda são enchicotiados uma triste vergonha😢😢

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