ANGOLA PODE TER COMUNICAÇÕES “CORTADAS” A PARTIR DA PRÓXIMA TERÇA-FEIRA

 ANGOLA PODE TER COMUNICAÇÕES “CORTADAS” A PARTIR DA PRÓXIMA TERÇA-FEIRA

ANGOLA PODE TER COMUNICAÇÕES “CORTADAS” A PARTIR DA PRÓXIMA TERÇA-FEIRA

Angola pode verificar as suas comunicações “cortadas” a partir da próxima terça-feira, 28, se não se resolver as reivindicações dos trabalhadores da Angola Telecom, que se encontram em greve desde terça-feira, 21.

O ministro das Telecomunicações, Tecnologias de Informação e Comunicação Social, Manuel Homem, está a ser acusado de ter proibido os órgãos públicos de comunicação social de cobrir a greve dos trabalhadores da Angola Telecom e a greve dos trabalhadores dos Correios de Angola.

Segundo uma denúncia apresentada pelos funcionários da Angola Telecom ao Portal “A DENÚNCIA”, a greve prende-se com a insatisfação à volta das “pessímas condições de trabalho que já têm sido apresentadas há mais de um ano”. Os trabalhadores reclamam pela melhoria de questões como: atraso salarial; baixos salários que não lhes permite ter acesso a créditos bancários para aquisição de uma habitação; péssimas condições de trabalho; falta de subsídio para alimentação; falta de habitação e falta de pagamento à segurança social.

Os trabalhadores revelaram ainda que chegaram a ser impedidos pelo ministro Manuel Homem de falar a respeito da greve ou de ceder qualquer tipo de entrevista sobre o assunto aos órgãos de Comunicação Social.

Lamentam, sobretudo, o facto de a Angola Telecom ser a mãe dos serviços de telecomunicações em Angola quando os seus funcionários, até ao momento, não são tratados condignamente.

“Não se admite que uma empresa que investiu em muitas infra-estruturas e muitas foram privatizadas, de propósito, como é caso da Movicel, TV Cabo, Infrasat, Angola Cables e muitas outras, quando pagam salários miseráveis sem nenhum subsídio nem condições mínimas de trabalho. Eles ganham acima de 3 milhões de kwanzas mensalmente, criaram empresas prestadoras de serviço dentro da Angola Telecom como a Comatel, Blinder, e nós, que garantimos os serviços da Angola Telecom, ganhamos uma miséria”, conta um dos funcionários da Angola Telecom, que pediu anonimato com medo de represálias do ministro das Telecomunicações, Tecnologias de Informação e Comunicação Social Manuel Homem.

O Portal “A DENÚNCIA” contactou o ministro das Telecomunicações, Tecnologias de Informação e Comunicação Social Manuel Homem que negou a acusação que pesa sobre si.

“Carlos Alberto, eu sou jornalista? Estou-lhe a perguntar se eu sou jornalista? Então se eu não sou jornalista, como é que vou proibir a cobertura de greves? Os jornalistas devem fazer o seu trabalho”, responde o ministro Manuel Homem.

Indagado sobre qual a justificação que se prende com o facto de os órgãos sob tutela do Executivo não estarem a cobrir a greve dos trabalhadores da Angola Telecom e a greve dos trabalhadores dos Correios de Angola, o ministro disse não fazer ideia das razões.

Indagado sobre se tem conhecimento das duas greves em empresas sob tutela do Ministério das Telecomunicações, Tecnologias de Informação e Comunicação Social, Manuel Homem respondeu ter conhecimento sem explicar as razões e o posicionamento do Executivo.

Perguntamos por que o seu nome está a ser associado a uma proibição de cobertura jornalística de duas greves em empresas do seu pelouro. Manuel Homem respondeu que está a ser associado o seu nome por ser o ministro, apenas isso.

Informações sobre a Angola Telecom e os Correios de Angola foram divulgadas pela Angop no passado dia 13 de Março deste ano, anunciando que a empresa Angola Telecom iria implementar, a partir de Setembro deste ano, um programa de expansão da rede de internet ao domicílio, a nível da cidade de Ndalatando, capital do Cuanza Norte, no quadro das estratégias do Governo de inclusão digital dos cidadãos, de acordo com uma promessa do ministro das Telecomunicações, Tecnologias de Informação e Comunicação Social Manuel Homem.

Referiu também que Cuanza Norte iria contar com um novo sistema de expansão do sinal da Rádio Nacional de Angola para permitir a audição, com maior qualidade, o sinal local e nas províncias vizinhas do Huambo, Malanje, Bié, Uige e Cuanza Sul e que o Instituto Nacional de Meteorologia e Geofísica (INAMET) iria ganhar cinco novas estações meteorológicas e a construção de uma estrutura técnica de apoio, que, além da cobertura local, iria ainda auxiliar as províncias de Malanje, Lundas Norte e Sul.

Entretanto, os trabalhadores da Angola Telecom estão em greve e dizem estar num clima de ameaças, prometendo mesmo paralisar toda a empresa a partir da próxima terça-feira, 28, se o Executivo não cumprir com a promessa que havia feito há 6 meses de melhorar as condições de trabalho para os funcionários da Angola Telecom.

O Portal “A DENÚNCIA”, no canal do YouTube, entrevistou trabalhadores dos Correios de Angola, que também se encontram em greve e que prometem, igualmente, paralizar todos os seus serviços.

Declararam de igual modo uma greve na passada segunda-feira, 20, tal como reportou o PAD, que se fez presente nas instalações dos Correios de Angola na passada terça-feira, 21, e reportou os factos a respeito da paralização dos serviços.

Segundo os funcionários dos Correios de Angola, as razões da greve não fogem à regra das situações que têm sido vivenciadas pelos trabalhadores da Angola Telecom. Dentre as principais reclamações, reivindicam baixos salários-base que há mais de 10 anos não são actualizados.

Os trabalhadores frisaram também que já remeteram um caderno reenvidicativo no passado dia 13 de Maio deste ano ao Conselho de Administração e prometem estender a greve até que a situação seja resolvida.

Se o Executivo não resolver a situação, Angola poderá registar um corte nas comunicações a partir da próxima terça-feira, 28.

O PAD está a acompanhar todos os factos em torno destas duas greves e promete continuar a trazer informações até que a situação seja resolvida.

 

Carlos Alberto

http://adenuncia.ao

1 Comentário

  • Eu acho justo está reivindicação porque nova Angola temos que mudar o paradigma desta situação, aqui na lunda-sul também os funcionários tem sofrido muita situações do gênero queremos justiça para todos eles .

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