Novo Jornal e Expansão podem parar nas “mãos do Estado”

 Novo Jornal e Expansão podem parar nas “mãos do Estado”

Os semanários Novo Jornal e Expansão, propriedades de figuras próximas ao MPLA, que têm como “testa de ferro” Emanuel Madaleno, um dos irmãos mais novos de Álvaro Sobrinho, podem cair nas mãos do Estado angolano nos próximos tempos, tal como aconteceu com a TV ZIMBO, Jornal “O PAÍS”, Rádio Mais, Rádio Global, Palanca TV e ZAP VIVA, uma vez que foram criados com fundos públicos, por intermediação do “poder” de Manuel Vicente, antigo PCA da SONANGOL e ex-Vice-Presidente da República, revelam fontes do Portal “A DENÚNCIA”. 

Os jornais, que surgiram no mercado angolano há sensivelmente 14 anos, terão sido criados com dinheiro do Banco Espírito Santo Angola (BESA) e também beneficiados de dinheiros do Gabinete de Reconstrução Nacional (GRN), numa altura em que Manuel Vicente era Vice-Presidente da República e o GRN estavam sob gestão do general Leopoldino Fragoso “Dino” e Hélder Vieira Dias “Kopelipa”, ambos homens de confiança do antigo Presidente da República de Angola José Eduardo dos Santos.

De acordo com as nossas fontes, os jornais viveram duas fases: uma primeira cuja gestão estava a cargo de pessoas próximas ao MPLA e próximas a Álvaro Sobrinho, enquanto PCA do BESA, e uma segunda fase em que viviam de subsídios da SONANGOL, enquanto Manuel Vicente era PCA, isso em meados de 2012, antes das eleições de 30 de Agosto.

“Os jornais fizeram parte de uma estratégia de poder, tanto do próprio MPLA, como de Sobrinho, que, na altura, tinha de facto muito poder. Ele tinha boas relações com indivíduos ligados ao próprio MPLA e sobretudo pessoas ligadas à Presidência da República. É assim que surge a ideia de criação de um grupo de media com credibilidade e que trabalhasse a favor dessas pessoas”, explica uma fonte que domina o dossier.

Segundo a fonte, as duas publicações e outras quase do mesmo período, como a TV ZIMBO, o Jornal “O PAÍS” e a Radio Mais surgem em finais dos anos 2000, em forma de compensação do Governo de Angola, que tinha comprado ou “deixado morrer” grande parte das publicações privadas que existiam na altura e que estavam nas mãos de privados, principalmente de jornalistas.

“Estamos a falar de publicações como o Semanário Angolense de Graça Campos, o AGORA do Aguiar dos Santos entre outros que eram publicações que muito incomodavam o regime, que muitas vezes era obrigado a negociar com esses jornalistas, porque as publicações eram mesmo independentes e de jornalistas”, esclarece a fonte.

Salienta ainda que a relação entre Álvaro Sobrinho, MPLA e ESCOM é estabelecida com a presença de Eugénio Neto, o então vice-presidente da ESCOM, general na reserva das FAA, com muito boas relações a nível da estrutura do poder, formado em medicina na antiga União Soviética. É “testa de ferro” em muitos negócios privados do próprio MPLA da era JES.

“Era Eugénio Neto que apareciava o resultado do Novo Jornal e do jornal “Expansão” com a primeira direcção desses semanários”, sublinha a fonte.

Segundo o site de notícias “24 Horas”, Eugénio Neto está entre as figuras da nomenclatura que poderão ser chamadas à justiça nos próximos tempos.

“Eugénio Neto, dono da LS Produções e antigo vice-presidente da Escom, consta, entre outros embusteiros, em um relatório de sete mil páginas que discrimina os esquemas maléficos, bem como todas as contas bancárias, bens e participações empresariais de dezenas de cidadãos angolanos que delapidaram o erário público”, escreve o website do jornal “24 Horas”.

O jornalista Carlos Alberto do Portal “A DENÚNCIA” chegou a perguntar, recentemente, por ocasião de mais um aniversário da PGR, ao Procurador-Geral da República Hélder Pitta Gróz sobre como andavam os processos contra Manuel Vicente, tendo em conta que o Hotel Intercontinental foi construído com fundos públicos, na vigência de Manuel Vicente como PCA da Sonangol. Pitta Gróz respondeu que “os processos-crime que estão abertos na PGR têm o seu tempo de vida útil” e que Manuel Vicente, por ser antigo Vice-Presidente da República, goza de imunidades, descartando, com essa resposta, a possibilidade de se ter encerrado processos criminais que envolvam, eventualmente, a figura de Manuel Vicente.

Sabe-se que Manuel Vicente perde as imunidades de antigo Vice-Presidente da República em Setembro deste ano (2017-2022), com a investidura do novo – ou reeleição de João Lourenço – Presidente da República de Angola em 2022. Caso isso aconteça, uma fonte aponta que Álvaro Sobrinho, Eugénio Neto, os generais Dino e Kopelipa poderão ser também arrolados nesse processo do “Novo Jornal” e do “Expansão”.

A nossa fonte avança ainda que Álvaro Sobrinho nunca largou os jornais. Tem e teve vários sócios ao longo desses 14 anos. O seu irmão Emanuel Madaleno conduz os negócios e mantém vários projectos e sociedades, como o Banco Valor, onde este último vendeu as suas acções para o irmão mais velho.

O Portal “A DENÚNCIA” tem informações segundo as quais as relações entre os “irmãos Sobrinhos” (também chamados de “irmãos Madalenos”) não são das melhores nos últimos tempos, uma vez que Álvaro Sobrinho terá acusado o irmão mais novo de tentar “passar-lhe a perna” em alguns negócios.

Carlos Alberto

http://adenuncia.ao

Deixe uma Resposta

O seu endereço de email não será publicado.

Não é possível copiar o conteúdo desta página
Iniciar conversa
Estamos online
Gostava de fazer uma denúncia de irregularidades e/ou crimes.