Samacuva sobreviveu a três golpes internos antes de abandonar a liderança da UNITA 

 Samacuva sobreviveu a três golpes internos antes de abandonar a liderança da UNITA 

O antigo líder do maior partido na oposição, Isaías Samacuva, sobreviveu a três golpes internos para o destituir do cadeirão máximo da UNITA, de acordo com uma denúncia, por meio de uma carta, que chegou à Redacção do Portal “A DENÚNCIA”.

De acordo com a nossa fonte, os atentados partiram de uma frente liderada por Paulo Lukamba Gato, general na reserva, o último secretário-geral da UNITA indicado por Jonas Savimbi, que, de acordo com relatos cruzados de outras fontes, nunca ficou satisfeito com a derrota que sofreu para Isaías Samacuva no congresso desse partido realizado em 2007.

A primeira tentativa de “apear” Samacuva partiu da própria liderança da UNITA, de acordo com a nossa fonte. Aconteceu no ano de 2011, com o surgimento do grupo de reflexão liderado por Abel Chivukuvuku, que tinha como finalidade, segundo os seus autores, reflectir sobre o projecto Muangai.

“Este grupo surgiu com muita força e era liderado pelo mano Abel Chivukuvuku. Na altura se falava que o general Gato também fazia parte do projecto, mas o assunto ficou esclarecido, embora muitos não tenham acreditado, numa reunião do Comité Permanente, onde este se distanciou do grupo”, esclareceu a nossa fonte.

A segunda tentativa aconteceu com a saída do jovem político, e então secretário-geral da UNITA, M´fuca Muzemba. De acordo com outra fonte familiarizada com o dossier, a saída de M´fuka Muzemba teve como finalidade enfraquecer uma UNITA liderada por Samacuva, que estava a ganhar bastante aceitação no castro urbano.

“No início de 2011, a UNITA estava a crescer muito e Samacuva estava a ganhar muita popularidade, fora daqueles círculos habituais do partido, principalmente a nível dos jovens de Luanda, cujas famílias eram próximas ao MPLA, e isso estava a deixar nervosos muito dos adversários de Isaías Samacuva dentro da UNITA. Então, era preciso que se criasse de alguma forma contestação interna de maneira a queimar a imagem de Samacuva e mais rapidamente tirar-lhe da liderança da UNITA”, revela.

“O jovem M´fuca Muzemba, que era muito querido e admirado, principalmente pelos jovens de Luanda e mesmo nas bases da UNITA, era o líder da JURA, foi acusado de estar a colaborar com o MPLA e de ter recebido dinheiro do senhor Bento Kangamba, e com isso criou-se uma algazarra onde o mesmo preferiu bater de frente com o partido e com isso foi suspenso, tendo acabado por abandonar o partido recentemente”, acrescenta.

M´Fuka Muzemba, nascido no bairro do Palanca, em Luanda, conhecido pelo seu activismo durante o tempo que liderou o MEA, foi levado para a UNITA pelo actual presidente deste partido, Adalberto Costa Júnior, de quem se diz ser um afilhado muito próximo.

A terceira tentativa de afastar Samacuva da liderança do partido aconteceu entre 2015 e 2017, quando os seus adversários, dentro da UNITA, apercebendo-se da popularidade que ele ainda tinha principalmente nas bases da UNITA, o aconselharam a não mais avançar às eleições. Mas ele preferiu mesmo continuar à frente da UNITA.

“Era preciso tirar o Samacuva da corrida à liderança do partido, porque nenhum dos candidatos que surgiram gozava da mesma credibilidade que o mais velho Samacuva. Todas aquelas pessoas que aparentemente estavam fora do partido, como Chivukuvuku e outros generais, afinal estavam todos de olho na liderança do partido. Depois de tanta pressão, o mais velho Samacuva decidiu não avançar mais, e assim, este grupo que já vem desde 2011, assaltou a liderança do partido”, sublinha.

O Portal “A DENÚNCIA” já solicitou entrevistas a Isaías Samacuva, com o sentido de se esclarecer por que a sua imagem é hoje “atropelada” nas redes sociais e sobre essas tentativas de o afastarem da liderança da UNITA, que prometeu falar para nós noutras ocasiões.

Recentemente, a nossa Redacção tomou conhecimento de que, numa reunião, o deputado Nelito Ekuikui chegou a chamar nomes feios ao mais velho Samacuva, cujas ofensas e falta de cumprimento das orientações do presidente da UNITA, que tinha voltado por força de decisão do Tribunal Constitucional, culminaram com a sua exoneração do cargo de secretário provincial da UNITA em Luanda.

Quando Adalberto Costa Júnior voltou à liderança do partido do galo negro, depois de ter sido afastado pelo acórdão 700/2021 do Tribunal Constitucional, “afrontou” Samacuva, voltando a nomear Nelito Ekuikui para o mesmo cargo, o que gerou também várias interpretações acerca das várias tentativas de se afastar Isaías Samacuva da liderança da UNITA desde 2007, cinco anos após a morte de Jonas Savimbi.

Com base em documentos que chegaram à nossa Redacção, fruto de reuniões na UNITA, o Portal “A DENÚNCIA” está no encalço da obtenção das versões, sobre este assunto, do general Paulo Lukamba Gato, de Abel Chivukuvuku, segundo cabeça-de-lista da UNITA, e do presidente da UNITA Adalberto Costa Júnior, cabeça-de-lista da UNITA para as eleições gerais deste ano.

Carlos Alberto

http://adenuncia.ao

2 Comentários

  • Esses caras de paus são uma ameaça Pública. Fico confortado em saber que não será dessa que hão de ser governo… ✊🏾

  • Nada lhes valerá maltratando o Mano Sama

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